Workshop Juventude Escola e Modernidade - 23 outubro 2013

 

Cuidado do corpo, sociabilidades juvenis e acções discriminatórias em contexto escolar

David Beirante*

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Esta comunicação explora uma possível relação entre os valores e representações actuais do corpo juvenil e as acções discriminatórias em contexto escolar enquanto problemática de individualização sobre a construção dos corpos na transição do jovem para o adulto. Interpretando os juízos produzidos pelos actores, procurou-se relacionar os sentimentos de injustiça na construção da identidade do eu como corporeidade (Heidegger, 1927), com experiências de discriminação e sentimentos de humilhação dentro do espaço escolar.

É através da construção discursiva essencialmente centrada na dualidade «corpo bonito, corpo feio», que se torna possível perceber a importância do corpo nas socialidades juvenis pelo olhar pragmático sobre as qualificações dos seres nas escolas. Como se mobilizam os alunos face a acções discriminatórias com incidência na dualidade qualificante? Como e quando intervêm os docentes se esta questão for revelada em diferentes contextos escolares? O que trazem as experiências de discriminação à educação sexual trabalhada na escola? E quais os limites da educação sexual em relação a outras formas de governação dos corpos? Isto é, os princípios que a norteiam têm maior expressão no cuidado de si ou na vigilância dos corpos?

Face à expressão pública de actos discriminatórios, o corpo-imagem, de caracterização complexa, pode ser operacionalizado numa abordagem pragmática, como uma "competência" (Boltanski, 1990) na valoração de si. A alteridade pode ser então o elemento de construção de um ajustamento que possibilite a gestão das disputas entre os jovens inscrevendo-a em algum princípio universal do bem comum, por exemplo, por uma gramática "cívica", obedecendo à não discriminação dos pares, operando numa racionalidade igualitária e solidária para com o outro; ou por uma gramática "doméstica", onde uma lógica afectiva de proximidade permitiria a coexistência de corpos «bonitos e feios» à margem de práticas discriminatórias.

À luz da sociologia pragmática (Boltanski & Thévenot, 1991), o processo de recolha da informação baseado na análise documental (legislação, projectos educativos, actas de reuniões) e na análise de entrevistas realizadas a alunos e professores, permitem observar uma pluralidade de juízos e modos de acção que revelam diferentes concepções sobre a importância do corpo nas socialidades juvenis em contexto escolar.


Palavras-chave: Cuidado do corpo; socialidades juvenis; práticas discriminatórias; Educação sexual


*Actualmente doutorando em Sociologia na Universidade Nova de Lisboa, é investigador não integrado do CESNOVA (Centro de Estudos em Sociologia de Lisboa) onde desenvolve trabalho na área da sexualidade, corpo, género e sociabilidades juvenis. Licenciado em Matemáticas Aplicadas e Mestre em Ciências da Educação, tem dedicado a produção académica a questões de natureza diversa tais como: a cooperação nas escolas; a formação de professores; o ensino não formal; a educação ao longo da vida; a educação sexual nas escolas, a sexualidade dos jovens.

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