Workshop Juventude Escola e Modernidade 25 Novembro

 

Nos interstícios das sociedades plurais e desigualitárias: novos dados sobre a situação social dos jovens Ciganos Portugueses

Maria Manuela Mendes (FA-UL e CIES-IUL)

ICS-Ulisboa, 25 de Novembro, 14h30, sala 1


A coexistência de pessoas e grupos marcados pela diversidade étnica, social, cultural, geográfica, religiosa e linguística é um tema que continua a gerar controvérsias acrescidas nas sociedades modiernas. Se pensarmos na coexistência dos ciganos nas sociedades europeias não deixa de ser interessante verificar que a "questão cigana" é um facto iniludível que trespassa as fronteiras dos diferentes países europeus, suscitando controvérsias e ambivalências nas sociedades ditas multiculturais e/ou interculturais e pautadas pelo princípio do universalismo.

Apesar da feição intercultural e universalista imprimida às políticas públicas, o não reconhecimento ou o reconhecimento incorreto do que é ser cigano por parte das instituições, bem como, a sua invisibilidade social no espaço público têm afetado negativamente várias dimensões da vida das pessoas ciganas. .

Em 2 estudos recentemente realizados, o Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas (Mendes et al, 2014) e um outro de pendor qualitativo em que se entrevistaram 72 pessoas ciganas e se realizaram etnografias nos bairros e nas escolas nas duas AM's (Magano e Mendes, 2015) é digno de registo algumas alterações geracionais traduzidas na valorização da escola, por contraste com o passado. O futuro dos filhos é percebido de modo diferente, colocando-se em perspectiva a possibilidade de prosseguirem uma escolha profissional tendo em vista a expetativa de estabilidade económica, de mobilidade social por via do trabalho, a valorização da escola como um meio para alcançar um "bom trabalho" e não como um fim. Os impactos da escolarização na vida profissional são ainda percebidos pelas pessoas ciganas como pouco relevantes face às expetativas criadas, o que se pode dever a factores associados à discriminação e ao racismo. Apesar de os jovens ciganos continuarem a ter uma formação escolar muito abaixo da média nacional, embora significativamente maior do que a dos seus pais, contudo, estão sempre muito condicionados por factores estruturais ligados à lógica de funcionamento do mercado de trabalho e quando acedem, é quase sempre a profissões mais desqualificadas.

Maria Manuela Mendes é doutora em ciências sociais (pelo Instituto de Ciências sociais da Universidade de Lisboa, ICS-UL), é docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa (FA-UL) e investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL).

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